Quais são as possíveis consequências das quedas em idosos?

Nos posts anteriores falamos sobre como podemos prevenir os idosos das temidas quedas.

Mas afinal, do que os estamos prevenindo?

Vamos discutir então, sobre as principais consequências das quedas na vida dos idosos e dos que estão a seu redor.

Dentre as principais estão:

As Consequências Físicas

O que vem primeiro à mente quando pensamos nas consequências físicas, são as fraturas, e acompanhando-as muitas vezes, temos as entorses, feridas, contusões, lesões musculares, comprometimento no equilíbrio, força, e ainda pode ser que surjam outras doenças, isso sem falar nas dores e naqueles que tristemente, chegam a óbito.
Vamos considerar também as lesões neurais que afetam tanto o aspecto físico, quanto cognitivo, de atenção e orientação no tempo e espaço.
As consequências físicas são muitas, e pensando nas atividades de vida diária, estas são extremamente afetadas, desde os simples atos de sentar-se e levantar-se sozinho, tomar banho, andar pela casa, até o ato extremamente natural de levantar os braços.
Entre as consequências mais citadas por pesquisadores e estudiosos, estão as fraturas no quadril e fêmur (osso da coxa), atingindo mais as mulheres do que os homens.

As Consequências Emocionais

Dentre as consequências emocionais, estão, o medo de cair novamente, os sentimentos de incapacidade, fragilidade e insegurança.
O sentimento constante de perda de independência, liberdade pessoal e ter de lidar com o abondono de atividades que eram consideradas importantes ou de lazer.
Estas e mais das emoções negativas em consequência das limitações causadas pelas quedas, podem infelizmente gerar tristeza profunda e levar ao quadro de depressão.

As Consequências Sociais

Associado à perda de autonomia e liberdade para ir e vir quando desejar, ocorre também um declínio na atividade social do idoso.
A dependência de familiares e cuidadores, pode colocá-los em uma situação de isolamento.

As Consequências Financeiras

A fim de tratar e minimizar as consequências físicas e emocionais, o próprio idoso e sua família podem sofrer um grande impacto financeiro.
Hospitalizações, atendimentos de emergência, procedimentos cirúrgicos, medicamentos, cuidadores e enfermeiros, além de tratamentos complementares, podem fazer parte dessa grande lista de gastos, mesmo com o auxílio da saúde pública em alguns países.
Pode também ser necessário ter de providenciar equipamentos para os cuidados médicos em casa e para auxiliar na locomoção. Em muitas situações, serão necessárias diversas adaptações na estrutura da casa, para atender as novas necessidades do idoso.

Sabemos que existem essas e muitas outras consequências, sendo a maior delas o comprometimento da qualidade de vida.
Dessa forma, vemos o quanto é importante nos conscientizarmos das mudanças que temos que fazer em nossas vidas para proteger os idosos, que podem estar entre nossos mais queridos amigos e familiares.

E se não houver idosos em sua família, ciclo social ou de trabalho, lembre-se de que se você não é um idoso hoje, será daqui a certo tempo, e irá necessitar da mesma conscientização e empatia de outros.

Se não sabe de que mudanças estamos falando, dê uma olhada nos posts anteriores de nosso blog. Temos certeza de que irão ajudar!

Bibliografia: Causas e consequências de quedas em idosos atendidos no hospital de Santo Estevão, BA
Causes and consequences of falls in elderly assisted in the hospital of Santo Estevão, BA
Thais Moreira Peixoto 1,3 ; Raquel Coelho Carvalho Artelosa 2 ; Luissa Adriana Tosta Silva ²; Tarcisa Silva Monteiro dos Santos ²
http://periodicos.unitau.br/ojs/index.php/biociencias/article/view/1883


Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia
Print version ISSN 1809-9823
Rev. bras. geriatr. gerontol. vol.14 no.2 Rio de Janeiro Apr./June 2011
https://doi.org/10.1590/S1809-98232011000200017
Consequências das quedas em idosos vivendo na comunidade

Qual é o papel do fisioterapeuta na prevenção de quedas dos idosos?

“Estima-se que há uma queda para um em cada três indivíduos com mais de 65 anos e, que um em vinte daqueles que sofreram uma queda sofram uma fratura ou necessitem de internação. Dentre os mais idosos, com 80 anos e mais, 40% caem a cada ano. Dos que moram em asilos e casas de repouso, a frequência de quedas é de 50%.” (https://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/184queda_idosos)

Qual é então, o papel do fisioterapeuta nessa?

Seus objetivos são avaliar, tratar, e também prevenir distúrbios que possam interferir na funcionalidade do organismo, a fim de promover a independência dos indivíduos, e nesse caso prevenir quedas em idosos.

A fisioterapia na prevenção de quedas em idosos envolve atividades físicas, avaliação do ambiente de convivência diária e verificação dos riscos tanto domésticos quanto possíveis outros, alheios ao ambiente de maior permanência do idoso. (ALMEIDA et al., 2009) (1)

A Fisioterapia contribui para prevenção de quedas, pois ajuda na melhora do quadro motor e equilíbrio, fornecendo orientações aos idosos e seus cuidadores, proporcionando a eliminação ou minimização dos fatores de risco.(PIOVESAN; PIVETTA; PEIXOTO, 2011) (3)

Quais são os recursos utilizados e tipos de treinos na prevenção à quedas?

Os treinos cinesioterápicos tem demonstrado grande eficácia na prevenção às quedas, e foram avaliados como indispensáveis por profissinais estudiosos.

A cinesioterapia tem a seguinte definição:
Conjunto de atividades físicas com finalidade terapêutica que demandam atividade muscular do paciente ou que provocam uma resposta muscular do paciente à estimulação feita por meio de aparelhos específicos, massagens etc. – Definições de Oxford Languages

Através dessas atividades podemos aprimorar o equilíbrio, reabilitar as articulações e outros tecidos, fortalecer a musculatura de maneira geral, além de trabalhar técnicas respiratórias e melhorar a autopercepção da orientação do corpo no espaço, da força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais, sem utilizar a visão. (wikipedia – propriocepção)

A hidrocinesioterapia é outro recurso que traz benefícios preventivos para quedas em idosos possibilitando fortalecimento muscular, alongamento e melhora do equilíbrio com menor ou nenhum risco de quedas, já que é realizada dentro da água.

Nesse método de tratamento combinam-se as propriedades físicas da água com a cinesioterapia, trazendo maior segurança ao paciente na realização do exercício, apresentando-se assim como uma atividade ideal para prevenir, tratar e retardar o surgimento das disfunções físicas decorrentes do envelhecimento, além da possibilidade de manter e melhorar a funcionalidade preservada do idoso. (CAROMANO; CANDELORO, 2001; ALMEIDA et al., 2009). (1)

Existem também programas de prevenção de quedas, que são programas de exercícios físicos direcionados aos idosos, combinando técnicas que tem como objetivo a funcionalidade do organismo, como melhora da cognição, força muscular, equilíbrio e a promoção da independência do idoso na realização de ativididades cotidianas, eliminando assim, os ricos de queda.

Estes programas podem ser prontos, adaptados ou específicos para cada idoso, de acordo com prévia avaliação fisioterapêutica e/ou multiprofissional.
Um dos programas de prevenção de quedas mais conhecido e eficaz, é o programa de exercícios de Otago.

Um grupo de Pesquisa de Prevenção a Quedas da Nova Zelândia desenvolveu e testou um programa de treino de equilíbrio e força combinado com um programa de caminhada. A essa combinação, deram o nome de Programa de Exercício de Otago (ANDERSON K.E., 2010) (2).

Os resultados da aplicação deste programa mostraram através de estudos, uma significativa redução nas taxas do risco de quedas e morte por esta causa. Você pode conferir mais detalhes do assunto no link: http://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2013/anais/arquivos/RE_0939_0721_01.pdf

Além da prevenção de quedas, sabe-se também que os exercícios físicos e interações sociais, promovem um grande aumento na auto-estima e no bom humor.

Lembre-se porém, seja você um idoso, cuidador ou familiar de um idoso, que a prática de exercícios para prevenção de quedas ou a adoção de qualquer programa de prevenção, deve ser totalmente indicada e acompanhada por um profissional devidamente especializado no assunto, como um fisioterapeuta, e dependendo da avaliação, também um educador físico. Lembre-se também de que além destes profissionais também é necessário acompanhamento médico.

Muito obrigada por nos acompanhar!

Bibliografia:
A FISIOTERAPIA NA PREVENÇÃO DE QUEDAS EM IDOSOS (1)
Madson Moreira Meres
http://repositorio.faema.edu.br/bitstream/123456789/2339/1/A%20Fisioterapia%20na%20Preven%c3%a7%c3%a3o%20de%20Quedas%20em%20Idosos.pdf

A ADOÇÃO DO PROGRAMA DE EXERCÍCIOS DE OTAGO PELO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE NA PREVENÇÃO DE QUEDAS DE IDOSOS: UMA REVISÃO DA LITERATURA (2) Liana G. C. Pereira1 , Ana Jéssica de S. Machado 1 , Janaína de Moraes Silva2 , Adrielle A.M.Martins3
http://www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2013/anais/arquivos/RE_0939_0721_01.pdf

FISIOTERAPIA NA PREVENÇÃO DE QUEDAS EM IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS: A PERCEPÇÃO DO IDOSO (3)

DIANA TEIXEIRA
MATIAS
.
Fisioterapeuta graduada pela Universidade
de
Fortaleza.
WESLYANA DA SILVA
RABÊLO
. Fisioterapeuta graduada pela Universidade
de Fortaleza.
BÁRBARA DE PAULA
ANDRADE
. Graduanda em Fisioterapia pela
Universidade de Fortaleza.
CLEIDEANE GONZAGA DAMASCENO DE
SOUZA
. Graduanda em
Fisioterapia pela Univ
ersidade de Fortaleza.
MARGYLLY HYANNE CARDOSO DE
ARAÚJO
. Graduanda em Fisioterapia
pela Universidade de Fortaleza.
JOSÉ NILSON RODRIGUES DE
MENEZES
. Fisioterapeuta graduado pela
Universidade de Fortaleza, Doutor em Biotecnologia pela Universidade
Estadu
al do Ceará e docente da Universidade de Fortaleza.
LUCIANA DIAS
BELCHIOR
. Fisioterapeuta graduado pela Universidade de
Fortaleza, Doutora em Farmacologia pela Universidade Federal do Ceará

Guia Básico Para Evitar Quedas

Quando pensamos no ambiente doméstico, nosso pensamento se volta para a decoração, cores e detalhes para que tudo seja acolhedor, funcional, e que tenhamos um ambiente amplo. Igualmente importante é a segurança.

Aqui vão algumas dicas para te ajudar a preparar seu ambiente seguro para todas as idades.

Portas amplas
Ao pensar em portas amplas você terá maior espaço entre os ambientes, facilitando a
passagem do idoso que depende do auxílio de andadores, cadeira de rodas, bengala ou
de outras pessoas.

Escadas
Sempre devem ter corrimão, guarda-corpo e faixa antiderrapante, porém, é preferível que o
ambiente não tenha degraus ou escadas.

Banheiro
O ideal é que o box seja amplo, com vidro temperado. As portas devem ser de correr para facilitar a passagem. Nas paredes do banheiro, recomendamos a instalação de barras de apoio. Isto vai auxiliar no equilíbrio e evitar acidentes. Para os que preferem não furar as paredes, existem barras com ventosas. Elas são fáceis de remover, trocar de lugar e servem para pessoas de todas as idades.

Móveis
As bordas pontiagudas devem ser mantidas sempre cobertas, e ainda pode-se aproveitar para
mudar a decoração de alguns móveis.

Cozinha
Devemos observar se o registro do gás está desligado, quando não está em uso. Nunca deixe os cabos de panelas para fora do fogão. É importante também, ter cuidado com tapetes, com
panelas quentes na mesa, e com líquidos e conteúdos quentes em geral.

Ambiente Externos
As calçadas devem ser bem pavimentadas, e possuir rampas de acesso. As piscinas devem ter
proteção de bordas, e grades de proteção. Não podemos esquecer das escadas com corrimão, e pisos antiderrapantes,
próprios para ambiente externos.

O Que Evitar?
• Uso de tapetes nos ambientes;
• Objetos espalhados pelo chão;
• Ambientes sem iluminação apropriada;
• Manter áreas com o chão molhado;
• Manter produtos de limpeza sem identificação, e fora das embalagens originais;
• Manter objetos cortantes acessíveis, como facas e tesouras, por exemplo. O ideal é
que sejam guardados em locais como gavetas, e de preferência, com travas de
segurança.

Essas são algumas dicas simples, porém podem fazer uma grande diferença em nossas vidas, e na das pessoas ao nosso redor. Podemos salvar vidas, prevenir quedas, fraturas, e juntos, diminuirmos o número dessas internações.


Seja diferente. Seja um multiplicador de segurança para todos a sua volta!

Segue um link com mais dicas e detalhes de como preparar um ambiente ideal para os cuidados com os idosos: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/184queda_idosos.html

Bibliografia
https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/3134/2/Trabalho%20final%20%20Maria%
20Geralcina.pdf
https://periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/article/view/8872
https://www.redalyc.org/pdf/3240/324043261020.pdf
4 https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-
36162016000500509&script=sci_arttext&tlng=pt
Organização Mundial da Saúde. Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Brasília, DF:
Organização Pan-Americana de Saúde;
2005.https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_nlinks&pid=S0102-
3616201600050050900001&lng=en
Monteiro CR, Faro ACM. Avaliação funcional de idoso vítima de fraturas na hospitalização e no
domicílio. Rev Esc Enferm USP. 2010;44(3):719-
24.https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_nlinks&pid=S0102-
3616201600050050900003&lng=en

Entenda um pouco mais para prevenir-se agora e no futuro, ou aqueles a quem ama:

As quedas podem acontecer em casa, no trabalho, em um passeio ou em ruas durante algum trajeto.

Segundo estudos, o número de fraturas de fêmur (osso da coxa) e quadril no mundo chegará a 4,5 milhões de casos em 2050. E, Segundo a Organização Pan Americana de Saúde (OPAS), atualmente, temos 8 milhões de idosos no mundo, e esse número triplicará para aproximadamente 30 milhões. Nos países desenvolvidos uma pessoa é considerada idosa, a partir de 60 anos. E, através de vários estudos podemos dizer que o corpo sempre está em processo de envelhecimento, e que o mesmo é considerado natural e irreversível – sendo um processo sequencial, individual e único para cada indivíduo.

Assim, podemos avaliar que o idoso tem um declínio importante de sua agilidade, visão, audição, alterações fisiológicas e anatômicas em todos os sistemas do corpo.

O idoso está mais suscetível à quedas, devido ao comprometimento de seu equilíbrio e de sua mobilidade, em virtude do envelhecimento natural dos seres vivos. Esses comprometimentos provocam a instabilidade postural, alteração de marcha (o andar do idoso fica prejudicado), aumenta o risco de quedas e consequentemente de fraturas.

Você então se lembra que, mais de 54,7% das internações hospitalares de idosos são por conta das quedas provocadas pelas consequências do envelhecimento?

Saiba que o ambiente domiciliar pode contribuir muito para o acontecimento de quedas. As quedas podem ser leves ou com fraturas, lembrando que as principais fraturas em idosos são as de fêmur e quadril, com muitos casos onde é necessário muito repouso, em que a recuperação é lenta e, que consequentemente leva o idoso a ficar acamado por algum tempo, podendo trazer outros problemas irreversíveis.

Assim como nos planejamos para receber visitas de crianças, tornando o ambiente mais seguro, podemos fazer o mesmo em relação ao idosos.

Nosso objetivo é te ajudar a observar as pequenas coisas que fazem grande diferença na vida deles, e consequentemente na sua vida também.

Continue a conferir nossos posts! No próximo falaremos de como pode construir então, um ambiente mais seguro e preparado para àqueles que tanto amamos.


Bibliografia

https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/3134/2/Trabalho%20final%20%20Maria%20Geralcina.pdf

https://periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/article/view/8872

https://www.redalyc.org/pdf/3240/324043261020.pdf

4 https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-36162016000500509&script=sci_arttext&tlng=pt

Organização Mundial da Saúde. Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Brasília, DF: Organização Pan-Americana de Saúde; 2005.https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_nlinks&pid=S0102-3616201600050050900001&lng=en

Monteiro CR, Faro ACM. Avaliação funcional de idoso vítima de fraturas na hospitalização e no domicílio. Rev Esc Enferm USP. 2010;44(3):719-24.https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_nlinks&pid=S0102-3616201600050050900003&lng=en